Monotonia/Insônia
- Tá quente pra caralho. – Observou. Não conseguia dormir. Esse era o maior problema do verão, junto com a falta de apetite. Resolveu abrir a janela. Ouviu Ai se eu te pego tocando a uns oitocentos metros de distância.
Levantou. Tateou a parede até encontrar o interruptor. Acendeu a luz e se olhou no espelho. Era feio. Mas ele não se importava. Para ele, inteligência e beleza eram completos opostos. Lera isso em um livro e desde então usara como desculpa para sua aparência horrenda… Ele realmente não se importava.
Dirigiu-se até a cozinha. Tateou a parede até encontrar o interruptor. Não encontrou e resolveu abrir a geladeira. Pegou aquela jarra cheia de Kissuco estragado e serviu no seu copo do Grêmio. O copo era feio, mas ele não se importava.
Olhou para o chão. Viu que tinha um líquido estranho esparramado perto do tapete persa do tio Gerônimo. Pegou um pano na lavanderia. Jogou em cima do líquido estranho. Tinha uma cor puxada para o verde. Tanto o pano quanto o líquido.
Aproximou-se do chão. O pano cheirava muito mal. Fez como sua avó sempre fazia, e esfregou o pano no chão com o pé. Escorregou como num passo de dança de Cantando na Chuva e bateu com a nuca na mesa de vidro.
Não levantou mais.
Oi. (2)
Oi. Como vai você?
Cara, sou fã do PC Siqueira. Vejo os vídeos novos, e quando percebo também to vendo os velhos. Não sou do tipo que fica pagando pau pra ele a todo momento, se veste parecido com ele (por mais que eu adore as roupas da Kosmik) e fala dele como se o conhecesse, mas pelo que ele fala em seu vlog parece ser um cara muito autêntico. Ele faz o que ele quer, as tatuagens dele são de coisas que ele realmente gosta, não que foi forçado a gostar.
Que eu saiba, né. Ele tatuou Space Invaders. É legal mas é meio bazingueiro.
De qualquer forma, eu diria que em vários aspectos, ele deixa um bom exemplo a ser seguido, em termos de individualidade. Fora que ele é engraçado. O primo dele que ri igual o Mutley também.
Enfim. Estou com saudade de escrever como antes. O que eu mais gostava de fazer eram crônicas de humor negro. Principalmente quando elas envolviam conhecidos sendo estuprados pelo satã. Ou suricates. Pretendo escrever mais sobre suricates, minha fase satânica passou. Disse satânica, mas a fase U.D.R nunca acaba.
To querendo começar a escrever histórias aqui. Não garanto nada, mas eu redescobri minha paixão por escrever depois que entrei no Lizt (http://lizt.com.br)
Acabei de
Deletar o meu twitter. Pela enésima vez. Ninguém presta naquela merda.
EDIT: Reativei a pedidos da minha querida Za. Como já me disseram, sou muito cerol.
Vou ser sincero:
Postar crítica de filmes é meio chato. Ainda mais escrevendo querendo parecer cult. Isso tirando o fato que eu não gosto de como as duas últimas críticas estão escritas. Acho que escrevi sem vontade.
Sou melhor escrevendo o que me vem na cabeça. Não gosto de seguir padrões.
Ainda não sei pra onde vou levar esse blog, se é que vou fazer alguma coisa dele. Não sei se deixo as críticas aqui ou se tiro. Deu um trabalho escrever tudo aquilo, mas como já disse, elas não me agradam muito. Arghh… Fiquem com um pouco de Frank Sinatra.
Oi.
Não sei o que postar, então… vamos conversar, eu e você. Como vai? Andou perdendo peso?
Se tem uma coisa que eu odeio é gente que não dá atenção aos amigos. Ou que troca de amigos como quem troca de roupa. E olha que tem gente que usa a mesma roupa por semanas. Ainda sou idiota de ir atrás.
Incrível que quanto mais tu quer alguém por perto, mais ela se afasta. E vice-versa.
Não sei se eu que sou o chato ou eles que são os loucos. Loucos todos somos. Uns de uma forma mais conveniente que outros. Mas isso tudo é relativo. Como seria um louco conveniente? Conveniente seria o louco pela vida, o louco por amor. Mas isso é raro. Bem raro.
A loucura, na verdade, é a coisa mais normal do mundo. Porém nem sempre é tão conveniente. As pessoas rotulam umas as outras como loucas quando demonstram seus problemas, e elas fazem isso apenas para fugir de seus próprios. Portanto, loucura todos temos. O normal é ser louco.
Por isso matei minha família inteira com um machado.
Sangue Negro
Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), é um filme dirigido por Paul Thomas Anderson, e conta a história de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um fracassado minerador de prata que começa a enriquecer fazendo perfurações e encontrando petróleo.
Com o sucesso das perfurações, Daniel e seu filho H.W (Dillon Freasier) resolvem tentar a sorte em uma pequena cidade ao oeste da Califórnia. O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.

O filme é muito interessante e bem composto, contando com a atuação vencedora do Oscar de Daniel Day-Lewis. A obra retrata de forma singular o poder destrutivo da ganância e da ira, assim como dos excessos em geral, e como estes podem transformar humanos em monstros. Vale a pena observar esses aspectos representados no humor violento do protagonista e na forma como os cidadãos de Little Boston são devotos a doutrina controversa do padre Eli. Um filme pesado e longo, mas que vale muito a pena ser assistido.
Com toda a certeza é o filme mais maduro de Paul Thomas Anderson. O diretor faz uma crítica mordaz e alegórica à sociedade atual, encarregando da trama dois personagens completamente opostos. Daniel é o esteriótipo do frio homem de negócios. Admite em algumas partes do filme odiar todos os seres humanos que conhece, e tira de seu caminho qualquer coisa que possa atrapalhar os seus negócios. É perceptível no seu consumismo destrutivo a ganância desmedida que cria o caráter do personagem. Vale a pena citar também que em muitas partes do filme fica claro que ele simplesmente não tem um motivo para tudo isso. Ele só quer ser melhor que os outros e não quer que ninguém além dele tenha sucesso. Por outro lado, Eli é um homem do povo, e sua felicidade se concretiza com seus sermões teatrais e com seu afeto pelos outros.
Algo que muita gente não percebe, mas que é um aspecto muito importante, é que os dois antagonistas, por mais que diferentes, são ambos alimentados pela ganância e pela inveja – não apenas Daniel. Eli quer ser poderoso e amado pelo povo, e isso tudo vem do ódio sentido por seu irmão mais velho, Paul, que se tornou rico após fazer um acordo com Daniel. Seu irmão mais velho lhe causa uma inveja enorme, e por isso ele procura se auto-afirmar às custas da fé da cidade.
Visualmente, o filme também é muito bem feito. A fotografia tem um estilo cru, e existem mensagens muito interessantes que são facilmente vistas. Um dos momentos mais marcantes do filme com certeza é quando uma das torres de extração de petróleo de Little Boston prende em chamas, remetendo ao próprio inferno, e ao arrependimento de Eli ter deixado o ‘diabo’ ter entrado em sua terra. A alegoria é perfeita.

Outra coisa marcante, que já foi comentada, é o senso de humor ácido que vemos durante todo o filme. Obviamente proposital, para equilibrar com o clima pesado ao qual somos submetidos na obra. A ladainha gritada pelos personagens é digna da criação de memes.
Resumindo, é um filme realmente visceral e com muitas interpretações. Eu poderia escrever muitas páginas sobre o que esse filme tem a oferecer. Li várias críticas deste filme antes de escrever a minha própria, e posso dizer que cada pessoa vê o que quer nesta obra. Um filme maravilhoso, denso e bem composto. Você não irá se arrepender.
Confiar
Título original: Trust. (David Schwimmer, 2011 -estreia no Brasil em 23 de setembro de 2011-)
Entre os muitos filmes que abordam o mundo do crime, a grande maioria passa batido pela sua falta de originalidade e pancadaria desenfreada. Grande parte das obras do gênero acaba por se tornar um blockbuster esquecido depois de alguns anos, mas este com certeza não é o caso deste filme.
Acompanhamos a história de Annie, uma garota comum que vive com sua família em Chicago, e leva uma vida perfeitamente normal. Porém, em seu décimo quarto aniversário, seu pai lhe dá um computador, dizendo que agora que ela está mais velha, confia nela o suficiente para ela usar a internet sem ele precisar se preocupar.
Annie então faz amizade com um rapaz de dezesseis anos chamado Charlie, e em pouco tempo acaba se apaixonando por ele. Ao longo de dois meses, porém, Charlie admite que na realidade tem vinte e cinco anos, mas que isso não deveria atrapalhar o relacionamento de ambos. Annie não vê problema e vai encontrar com seu amante no shopping, porém ao se encontrarem ela vê que na realidade Charlie tem em torno de quarenta anos e que havia mandando fotos falsas, porém não reage o suficiente para não acompanhar Charlie até o motel mais próximo. A trama então se desenrola a partir do estupro de Annie.

Admito que tive que assistir o filme duas vezes para entender realmente a proposta. A ideia em si é sensacional, mostrando uma visão mais realista do que a de muitos filmes que abordam o tema.
O final deixa muita coisa no ar -praticamente tudo, se for me perguntar- porém isso é crucial para a ideia do filme; serviu para mostrar que NEM SEMPRE tudo acaba bem. A proposta é realmente singular se for olhada deste modo. O pequeno vídeo depois do final do filme também é muito interessante, no qual Charlie aparece como um respeitado professor e pai de família.
Um dos objetivos do filme -provavelmente o mais explícito e importante- é mostrar que as pessoas más existem, e que elas estão em todo lugar. Percebemos a vontade do diretor de mostrar isso em várias cenas, desde a parte dos ‘rastreadores de pervertidos’ até o curta que toma conta da tela na cena final. A obra conseguiu fugir do clichê com uma abordagem triste e intimista da história, e não simplesmente mostrando pancadaria de pedófilos como muitos outros filmes. A atuação de Clive Owen (pai de Annie) e de Liana Liberato (Annie) são muito boas, e realmente criam momentos dignos de lágrimas. Um filme que merece bastante crédito pela singularidade, mesmo que ao primeiro olhar pareça apenas ‘mais do mesmo’.